Isto é swing
Henry já ouvira Woody Herman e Count Basie uma ou duas vezes na rádio, mas ouvir uma orquestra de doze elementos ao vivo não se parecia com nada que ele tivesse vivido
“Henry e Keiko observaram pasmados aquela sala escura e cheia de fumo, sarapintada de copos altos sobre toalhas cor-de-vinho e joias que cintilavam na clientela que se aninhava em volta dessas pequenas mesas iluminadas a velas.
O burburinho geral esmoreceu quando um velho se aproximou do bar, onde se serviu a si mesmo de um copo alto de água gelada, limpando o suor da testa. Era o velho das traseiras do clube, aquele que fora fumar ao beco. O maxilar de Henry caiu quando o homem avançou para o palco, exercitou os pulsos e estalou os dedos antes de se sentar ao piano vertical diante de um grande ensemble de jazz. Sheldon estava empoleirado por trás de uma caixa de cartão com o resto da secção de sopros.
O velho baixou os suspensórios para ter maior liberdade de movimentos, e passou os dedos pelo teclado enquanto o resto da banda ia apanhando o ritmo. Para Henry, parecia que a multidão sustivera a respiração. O velho sentado ao piano usou da palavra enquanto tocava a introdução.
- Esta é para os meus dois novos amigos, chama-se Alley Cats. É um bocadinho diferente, mas acho que vão gostar.
Henry já ouvira Woody Herman e Count Basie uma ou duas vezes na rádio, mas ouvir uma orquestra de doze elementos ao vivo não se parecia com nada que ele tivesse vivido. (...)
Henry virou-se para Keiko, que abrira o seu caderno de esboços eestava a dar o seu melhor por desenhar a cena.
- Isto é swing - disse ela. - É o que os meus pais ouvem. A minha mãe diz que nos clubes de brancos ninguém toca assim; é demasiado desvairado para certas pessoas.”
Jamie Ford, O gosto proibido do gengibre (2009) – Porto Editora 2012, Trad. Vasco Gato - p 64.


